Postagem de blogue tradicional

2008 foi contemplado com o mote: "ano da mudança". Tudo começou com uma azeitona e para os amigos que me conhecem: isso é ou não é uma mudança considerável. Pessoas que me flagram com copos de bebida também passam por um momento de estranhamento. Enfim, me sinto em mudança e não colocarei barreiras a elas. Assumo os riscos.

Hoje estava lendo o tal "Pai rico, pai pobre". Lí a introdução, porém normalmente leria 12% da introdução antes de voltar às leituras e estudos em curso. É um livro escrito de e para as pessoas que aprendí a odiar como estudante, como músico e professor que sou. Mas é o ano da mudança. O ano de aceitar os outros 88%.

As mudanças legais são aquelas que fluem. As mudanças muito, mas muito legais mesmo, são aquelas que confluem.

Venho há alguns meses pensando e conversando sobre a situação profissional do músico com colegas e amigos. Isso por que observei ao longo dos anos essa coisa do músico aprender a odiar quem tem uma relação mais íntima com o dinheiro e sabe se valorizar. Eles estão dormindo com o inimigo!

Além de músico, sou do ABC. Além de ser do ABC, sou do colégio da Fundação Santo André e isso importa. Esse é um colégio em que há subsídio público, de forma que é mais barato que os grandes-complexos-forma-vestibulando-comedor-de-criancinha. A proposta de ensino também era aversa à bitola (seja larga ou curta, o trem vai pra USP) e o prédio, ao menos nos primeiros anos em que lá estive, era o mesmo do ensino superior. E o ensino superior da FSA, mais especificamente a FaFil com os cursos de humanas, é um grande receptáculo de piqueteiros de esquerda.

Ou seja, além de toda a aversão ao desenvolvimento financeiro pessoal contida no subconsciente coletivo dos músicos em geral, ainda convivi um bom tempo ao lado de estudantes de ciências sociais e tinha professores filiados ao PT e ao MST. Fui forjado pela esquerda do ABC. Aprendi a odiar o lucro.

Antes que eu me esqueça: Além de músico, andreense e proveniente da FSA, sou católico. Passei muitos anos participando de uma paróquia franciscana. Obediência, pobreza e castidade.

...e vem 2008...

...e chega um momento em que eu aceito a introdução toda do "Pai rico, pai pobre". O autor está certo em alguns pontos. Não vou conseguir assimilar toda a situação da forma que lá está. Por que ele é norte-americano e eu não? Também. Mas mais por que me considero como fazendo parte das pessoas que levam consigo a missão de negar o inegável e acreditar no incrível. Não é fácil assumir a tarefa, mas quando se assume, não se larga mais dela. Tem gente que não aceita que haja algo como a humanidade-como-um-todo. Mas eu acho que dá pra pensar nesse sentido. E a humanidade precisa de gente que ponha em cheque o estabelecido. Constantemente. E por mais utópico que seja, é necessário e saudável. Porém, às vezes, injusto.

É bonito ver a crença no contrário. É bonito ver quem faça arte de maneira incondicional, não importando cachê ou limitações. E sustento que o mundo precisa de gente que mostre outros caminhos. Porém a música é uma arte perigosa e um tanto traiçoeira com sua gente. Ademais todas as coisas bonitas, é um ofício. E segundo Stravisnki, artesanal.

Ofícios demandam ética profissional. Demanda que o músico cobre não só pela atuação, mas pelas horas de estudo e ensaio. Demanda que se construa uma carreira como autônomo, que se mantenham contatos com gente desinteressante, que sejam feitas ligações, ofertas e contra-propostas, demanda que se venda o peixe. A coisa ocorre no sentido inverso, na maioria das vezes: tem muita música ruim por aí, por que se paga mal por ela.

É só uma das mudanças. Um outro ponto de vista que talvez até soe óbvio aos colegas mas, numa visão do estado de coisas, não é.

3 clicaram, e eu os agradeço.:

Junior Almança disse...

Sabe o que me deixa feliz? Que toda vez que um de nós decide mudar, isso sempre ocorre por perto - e não digo isso de modo estritamente físico. Quaisquer mudanças, lá estamos. O primeiro shot de tequila ou dose de uísque, a primeira balada "diferente" e, porque não, a primeira azeitona?

Fico feliz porque isso é algo que antes de publicar, é exposto a nós, os companheiros (meu lado CUT falando) de jornada.

Se antes era um café, hoje ergo meu copo e brindo - ora do jeito mais viking possível.

E como eu sempre digo, seu potencial é para ir mais longe do que qqer um porque você dança entre as vertentes.

Ir contra a maré? Bem, porque não falar daquEle que sempre participa de nossas mudanças também?
Porque além de remarmos contra, fazemos com que os braços ao redor se juntem a nós.
De joelhos.

E devo finalizar com: "Um post com cara de Tadeu".

Abraços

Erick disse...

Eu tenho me aberto pra essas mudanças há algum tempo antes de 2008... Vida mais leve é uma conquista diária cada vez mais presente...

O idealismo mto serve pra impactar e fornecer base para a reflexão e formação de opinião própria (olha só quem tá falando né). Mas ele não bota comida na mesa.

Vivemos num mundo onde somos produtos e vendedores de nossos meios e serviços.

Não precisamos esquecer da ética, mas tudo pode se aliar para um bem geral da nação.

Aqui é mais um músico que começou a pensar mais como gente na rádio Tadeu FM...

Marcel disse...

fassa o que queres, só nao fassa o que näo deves. (é, eu sei, é que esse teclado näo tem cedilha, releia substituindo pela palavra faca, näo faz sentido!)

vcs realmente estäo mudando, até agora ninguem falou de mudar de sexo e essas coisas... heuhheuheuhuehuhe

Como eu disse, se tudo passa e até uva passa, tudo muda até planta muda e gente muda.

Eu gosto de dinheiro, vejo nele a esperanca de comprar uma mulher caso näo consiga uma que me queira por vontade propria... e enquanto vc compöe por ai, eu decomponho por aqui.

Marcel