2008 foi contemplado com o mote: "ano da mudança". Tudo começou com uma azeitona e para os amigos que me conhecem: isso é ou não é uma mudança considerável. Pessoas que me flagram com copos de bebida também passam por um momento de estranhamento. Enfim, me sinto em mudança e não colocarei barreiras a elas. Assumo os riscos.
Além de músico, sou do ABC. Além de ser do ABC, sou do colégio da Fundação Santo André e isso importa. Esse é um colégio em que há subsídio público, de forma que é mais barato que os grandes-complexos-forma-vestibulando-comedor-de-criancinha. A proposta de ensino também era aversa à bitola (seja larga ou curta, o trem vai pra USP) e o prédio, ao menos nos primeiros anos em que lá estive, era o mesmo do ensino superior. E o ensino superior da FSA, mais especificamente a FaFil com os cursos de humanas, é um grande receptáculo de piqueteiros de esquerda.
Ou seja, além de toda a aversão ao desenvolvimento financeiro pessoal contida no subconsciente coletivo dos músicos em geral, ainda convivi um bom tempo ao lado de estudantes de ciências sociais e tinha professores filiados ao PT e ao MST. Fui forjado pela esquerda do ABC. Aprendi a odiar o lucro.
Antes que eu me esqueça: Além de músico, andreense e proveniente da FSA, sou católico. Passei muitos anos participando de uma paróquia franciscana. Obediência, pobreza e castidade.
Ofícios demandam ética profissional. Demanda que o músico cobre não só pela atuação, mas pelas horas de estudo e ensaio. Demanda que se construa uma carreira como autônomo, que se mantenham contatos com gente desinteressante, que sejam feitas ligações, ofertas e contra-propostas, demanda que se venda o peixe. A coisa ocorre no sentido inverso, na maioria das vezes: tem muita música ruim por aí, por que se paga mal por ela.
É só uma das mudanças. Um outro ponto de vista que talvez até soe óbvio aos colegas mas, numa visão do estado de coisas, não é.
3 clicaram, e eu os agradeço.:
Sabe o que me deixa feliz? Que toda vez que um de nós decide mudar, isso sempre ocorre por perto - e não digo isso de modo estritamente físico. Quaisquer mudanças, lá estamos. O primeiro shot de tequila ou dose de uísque, a primeira balada "diferente" e, porque não, a primeira azeitona?
Fico feliz porque isso é algo que antes de publicar, é exposto a nós, os companheiros (meu lado CUT falando) de jornada.
Se antes era um café, hoje ergo meu copo e brindo - ora do jeito mais viking possível.
E como eu sempre digo, seu potencial é para ir mais longe do que qqer um porque você dança entre as vertentes.
Ir contra a maré? Bem, porque não falar daquEle que sempre participa de nossas mudanças também?
Porque além de remarmos contra, fazemos com que os braços ao redor se juntem a nós.
De joelhos.
E devo finalizar com: "Um post com cara de Tadeu".
Abraços
Eu tenho me aberto pra essas mudanças há algum tempo antes de 2008... Vida mais leve é uma conquista diária cada vez mais presente...
O idealismo mto serve pra impactar e fornecer base para a reflexão e formação de opinião própria (olha só quem tá falando né). Mas ele não bota comida na mesa.
Vivemos num mundo onde somos produtos e vendedores de nossos meios e serviços.
Não precisamos esquecer da ética, mas tudo pode se aliar para um bem geral da nação.
Aqui é mais um músico que começou a pensar mais como gente na rádio Tadeu FM...
fassa o que queres, só nao fassa o que näo deves. (é, eu sei, é que esse teclado näo tem cedilha, releia substituindo pela palavra faca, näo faz sentido!)
vcs realmente estäo mudando, até agora ninguem falou de mudar de sexo e essas coisas... heuhheuheuhuehuhe
Como eu disse, se tudo passa e até uva passa, tudo muda até planta muda e gente muda.
Eu gosto de dinheiro, vejo nele a esperanca de comprar uma mulher caso näo consiga uma que me queira por vontade propria... e enquanto vc compöe por ai, eu decomponho por aqui.
Marcel
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