Numa postagem de um tempo atrás - acho que nem era esse blogue - eu comentava sobre algumas coisas que não mudam no homem. Naquele, propunha que a gente tem algo como um gene inibidor do 'não sei'. A gente explica. Se não com mitos, com contas. Se não com estes, por alguma teoria.
Sei que posso dar um belo tiro no pé, já que meu dia-a-dia é regido por teorização, explanação e discussão, mas algumas explicações... bem... eu prefiro dizer mesmo que não sei e ponto
Algumas coisas, ligadas a visões de mundo, eu vejo que também mudam pouco. Fui a toa dar aula hoje - o aluno avisara que não iria - e na volta passei pegar algo pra tomar no shopping. Pouso obrigatório na livraria e eventual encontro com uma palestra sobre Bossa nova. 50 anos após o momento em que fincaram a placa "Bossa-nova a diante" e faz-se toda uma série de retornos, um pouco retorno ao que já deixou de ser e muito do que continuou sendo, meio que forçando amizade.
Antes que você começe a concordar veementemente com o que acha que vai ser dito aqui - todos hipócritas tentando vender discos e livros forçando na garganta da classe média consumidora uma idéia de exaltação da tradição... malditos comedores de criancinhas - devo lembrar-lhe que todos comemoramos aniversários. Seja de uma semana, numa missa de sétimo dia, seja um ano sem acidentes numa empresa.... seja meio século de um rótulo musical.
Acho que a gente não é lá muito diferente dos Maias e sua visão cíclica da História. Como em jogo de corrida, acho que a gente estabelece 'check points' e vai, nesses pontos, tentando entender o que continua e o que mudou - por exemplo.
Os ciclos temporais [momento óbvio] são determinados num diálogo entre natureza e ação humana. É algo como, em mínima escala [ exatamente a proporção de um quarto de dia a cada ano ] usar um osso pra bater nos outros atores vestidos de macaco, ou seja, dialogar com a natureza.
Esse diálogo já foi visto - por muitos espectadores do filme acima citado, por exemplo - como uma intervenção entre homem e natureza pelo uso de artifícios, ou seja, ferramentas. Uma intervenção artificial. Mas não. Homem é natureza também. O microchip a penicilina e os seios daquela moça [boas memórias...] são tão naturais quanto o tsunami e a joaninha.
Nessa relação entre o homem e seu meio a gente vai tentando entender o que a gente é - apontando o que a gente não é.
- O que é você?
- Olha, ainda não sei, mas já sei que eu não sigo o sol com a cabeça, então, por mais que o Nasi diga, e realmente talvez ele seja, eu não sou um girassol.
Nessa brincadeira de a gente entender o que é a gente descobre que, citando uma professora minha, é um imenso bifão. Um grande pedaço de carne. E aí vem minha adição à coisa toda: um bifão que tenta ficar vivo. Mas que apodrece.
Não gostei do texto, vou finalizar rápido e sem mais babaquice: Como não dá pra ficar constantemente olhando pro seu braço enquanto o número de células mortas avança sobre as novas células criadas - temos mais o que fazer - acho que é meio da natureza humana olhar pro braço, ver como as coisas estão e marcar um dia, talvez em 4 meses e meio, pra olhar de novo. Aí a gente comemora aniversário, 50 anos disso, 3 meses daquilo, 12 dias sem tal droga e...
2 clicaram, e eu os agradeço.:
engracado. vai ter um show comemorativo dos 50 anos da bossa nova, aqui no Opera House, em Sydney. Roberto Menescal, e o escambau. Lendo o panfleto informativo, um monte de enchecao de linguica, do tipo que faz o pessoal ignorante e tolamente orgulhoso menear a cabeca e sair espalhando por ai, que "realmente, o vinicius cantuaria e mais melodico que o caetano veloso."
what the fuck?
ooo, bipedes ocos.
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ah, eu vou no show, a proposito.
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martini
Bem, eu sou um cara viciado em contagens regressivas então eu comemoro até o final de um dia - que diga-se de passagem é um ciclo que as vezes demora mais que uma vida (a velha história do chega 2009 mas não dá 6h da tarde pra eu ir embora). Achei o texto interessante, mas não acho que seja papo para escrever - como você mesmo disse, há alguns assuntos que exigem interação com a natureza. Neste caso, o assunto apresentado ficaria mais vivo se você batesse o osso na cabeça do macaco ao lado e não no teclado.
Mas, enfim, se a mão não chega, viva o osso virtual. Enfim, acho que também perdi meu foco e deixo a distância afetar as palavras e bla bla bla...
Feliz aniversário.
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