Vícios, parte 2


Hoje, continuo anteontem.
Começo com duas tuitadas:
O link do @twelvenights fala de 10 vícios modernos, dentre os quais estão a preguiça, o sexo, a internet e escapismos diversos.
Coisas que tentamos colocar no dia a dia de forma compulsiva - vícios.
Ai acaba o dia a dia.

Vícios se enfiam no meio e querem se tornar fins a todos os meios. A lista é divertida, por realmente enfatizar um monte de coisas que a vida moderna nos faz buscar compulsivamente, como estar sempre certo ou sempre sentado. Certo e sentado então, puro êxtase! Creio que alguns dos itens seriam sub-categorias de outros e faltaram algumas coisas, como o já clinicamente constatado vício de olhar a todo momento para o celular, sem motivo aparente. Mas vale o clique.

Algumas mortes são anunciadas publicamente. Nietzsche colocou Deus no obituário, uma revista de tecnologia, há um tempo, anunciou também o funeral do teclado, com o lançamento do iPhone e hoje o Millôr condena o dia a dia.

Dia a dia, os ritos, a rotina. Falaram tão mal disso que hoje, tentando colocar a todo momento alguma distração no meio dos afazeres diários, não se sabe ao certo do que se foge nos momentos de get away from it all.



Coffeeless experience 2.0 – Week 1 [sobre quebras de rituais/vícios/costumes]

Sim, foi uma semana.
Uma semana que me fez pensar na real diferença entre rituais, costumes e vícios, sejam eles químicos, psicológicos ou culturais. Isso por que mais que um vício, cortei o ritual. Aqueles minutos em que lentamente os planos do dia tomam forma na cabeça enquanto, maquinalmente (religiosamente?) coador, pó, água... se foram. Dentre outros.

Há sempre espaço para outros vícios/ritos.
Hoje a corrida foi acompanhada. E recomendo que, se forem se exercitar com mais gente, que sejam amigos de verdade. Ainda haverá uma leve vergonha daquela preguiça de dar a última volta, mas não tanta a ponto de você sair totalmente do seu ritmo. Obviamente isso serve de metáfora a qualquer outra coisa que façamos na vida, mas, como sempre, as metáforas deixo com ele.

Desci à praia no feriado.
Outra quebra.
Ir à praia, nos últimos bons anos, foi uma atividade socialmente definida. Algo a se fazer com um grupo de amigos, com bagunça e areia e água. Dessa vez a proposta foi outra. Muita conversa, e muita ideia enquanto a praia, salvo por duas breves caminhadas, se tornava um quadro vivo no vidro da sacada. E continuo respondendo o 'Por que?' com 'Por que não?'.
Aliás, Santos é uma cidade bem boa.



Coffeeless experience 2.0 – Day ?

Quinto, sexto dia, sei lá. O Vitor disse que seriam 21 dias, segundo pesquisas, pra que meu corpo tomasse a falta de café como um hábito. Acho que a coisa já está caminhando pra esse lado. Certo que outro dia me voltei aos copos da escola para tomar um pouco d'água e quando vi o copo estava já pela metade de café, mas tudo bem. Hoje a manhã foi a primeira com poucas horas de sono desde o começo da brincadeira. Tudo correu bem, bem demais.
Pra falar a verdade, da primeira vez foi muito mais difícil. A coisa era forçada e havia prazo. Havia o dia de voltar ao que era antes. Acho que dessa vez eu assumi um recomeço pro resto da minha vida.
...
sim.
Hora de limpar a sujeira. O café foi uma das primeiras.
... as próximas vou informando.

Coffeeless experience 2.0 – Day 2

Achei que o dia correria bem, como disse no post anterior, e comecei correndo, e muito bem. Voltei, estudei e tudo estava ótimo. Até começar as primeiras aulas. Não sei se uma abrupta mudança alimentar, a falta de cafeína, o início dos exercícios ou tudo junto de um jeito bem desregrado com a sinusite: a coisa ficou feia. Após chegar em casa na terça passei bem umas 15 horas num período que parecia crise de abstinência. Dores de cabeça, pernas cansadas e um pouco de tontura. Pensei que fosse desistir. Mas acontece que ontem a manhã transcorreu melhor e, até o momento, tudo parece ter entrado nos eixos.
64h30 limpo, e contando.

Coffeeless experience 2.0 – Day 1.

Alguns de vocês devem lembrar da minha primeira experiência desse tipo. Foram duas semanas sem café que me renderam um jantar no Outback. Essa será diferente.

Sem apostas, sem desafios, sem prêmios prometidos – alguns esperados. Tenho percebido pouco a pouco, bem como têm me alertado por aí, que a coisa se tornou um vício. E ela começou como vício, para suprir uma necessidade. Continuou como vício, como aglutinador social e como vício espero que termine.

Ontem percebi que o ambiente realmente influencia nesse processo. Passei mais de 9 horas no trabalho e percebi que o café faz parte do lugar. Há momentos e companhia para ele. Acho que a parte mais difícil do dia foi encarar uma pilha de lição de casa para corrigir no intervalo sem nada ali. Acabei apelando e deixando um copo de água ao lado, ou teria de enfrentar a aventura impossível de me concentrar só, pura e simplesmente nos erros dos meninos. (percebi como uma droga me ajudava nos casos mais esdrúxulos)

Tal correção foi mais difícil até que o café da manhã hoje. Dica a alguém que queira diminuir / parar de tomar café: corridas matinais ajudam. Bem como todas as revistas de bem-estar dizem, é melhor você mesmo criar os químicos que vão te acordar a ingeri-los por aí.

Hoje são só duas aulas e acho que só haverá mesmo a dificuldade do pós-almoço. Espero.